Archive for Agosto, 2010

Falar para o novo Portugal

Agosto 23, 2010

O post que abaixo reproduzo leva-me a reforçar a ideia que é preciso pensar em soluções alternativas para o nosso país, e até para a UE.

É preciso pensar fora da caixa que foi construída no pós guerra, e que foi mantida graças ao crescimento económico e explosão demográfica que se verificou na Europa, até há pouco mais de 20 anos. Neste momento as condições favoráveis ao modelo económico social deixaram de existir. Não há como sustentar um Estado social abundante sem crescimento económico.

Para além disso, criou-se a mentalidade tendente a exacerbar os direitos de cidadania, desprezando os deveres de cada um perante a sociedade. Neste contexto, ao cidadão cabe quase exclusivamente o dever de pagar os impostos e deixar que o Estado, omnisciente, lhe preste todos os serviços.  Com a agravante que, mesmo que o cidadão não pretenda usufruir desses serviços (porque escolheu obtê-los por outra via), tem que pagar obrigatoriamente os impostos correspondentes (excluindo daqui a parte que é dever do cidadão, respeitante a componente solidária).

É preciso mudar esta mentalidade. Todos os que pensam diferente devem dar a sua voz por soluções diferentes. Chega de dogmas.

In 31 da Armada, 22/08/2010

(http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4363423.html)

Sócrates voltou hoje a apresentar-se como o defensor irredutível do “estado social”, contra o cerco que acha que o PSD lhe está a fazer. Não há dúvida de que esta será a retórica do PS até às próximas legislativas. Por isso, é preciso que a direita perceba o seguinte: em Portugal, a maioria esmagadora da actual população activa urbana cresceu e viveu absolutamente dependente do Estado – trabalhando para o dito e/ou dele recebendo os mais diversos subsídios e subvenções. Mesmo no mundo rural, a agricultura foi há muito substituída pelo Estado como a principal fonte de rendimento (aliás, a própria agricultura que ainda resta também sobrevive porque é subsidiada). Este é o país que temos. É o país que é. Que, em grande medida – na ditadura e na democracia -, o obrigaram a ser. E o PS, por definição ideológica, é o partido deste Portugal – que alegremente troca a ambição por protecção, que suspeita dos que sobressaem e prefere a igualdade a qualquer custo, mesmo se essa igualdade significa a pobreza de todos. Sócrates não precisará de se esforçar muito para que este Portugal se sinta identificado com o seu discurso. Ele é, por excelência, a sua voz. Quem tentar fazer o mesmo, não passará de reles imitação.

No entanto, há um outro Portugal que surge. Porventura, é ainda geracionalmente demasiado definido, mas a sua influência começa a pressionar a velha ética do colectivismo e do assistencialismo. É o Portugal que cresceu na falência do Estado embalsamado que Sócrates venera. O Portugal dos que do Estado apenas esperam que este não os incomode mais do que o estritamente necessário. Dos que aproveitam a globalização para conhecer o mundo e comparar realidades, cujas raízes não serão num só sítio. Dos que querem arriscar e ter sucesso ou arriscar e falhar e arriscar de novo, em vários países, que não acham que devemos todos viver em rebanho mas, pelo contrário, que cada um deve poder procurar a felicidade à sua maneira, livremente desenvolvendo os seus talentos.

Se a direita quiser servir para alguma coisa, tem e perceber que há um Portugal mental velho, que espera do Estado a doação de um modo de vida, e um Portugal mental novo. Se quiser ter uma influência duradoura no governo do país, é para este último que tem de falar, construindo uma narrativa ideológica consistente e um discurso que suporte intelectualmente essa mudança geracional e sociológica. Tem de falar, com coerência e propostas concretas, de liberdade. Se o PS é o partido dos instalados do velho Portugal, a direita tem de ser a escolha natural do novo Portugal: de gente livre, cosmopolita, empreendedora e ambiciosa.

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Representação democrática

Agosto 7, 2010

A pretexto das propostas de alteração da constituição apresentadas por um grupo de trabalho patrocinado pelo PSD, voltei a reflectir sobre se o leque partidário português serve a Nação.

A maioria das propostas é bastante válida, sobretudo as relativas à organização económica, procurando retirar da constituição toda a carga socialista herdada do PREC. No entanto bastou uma semana de críticas avulsas e sem fundamento, por parte daqueles que escreveram ou são seus descendentes políticos, para que o PSD viesse a terreno dizer que eram só propostas estas seriam objecto de revisão.

Quando se apresentam propostas que se supõem sérias e reflectidas, há a obrigação de as defender. Isto se facto os proponentes ou patrocinadores acreditam de facto naquilo que propõem.

A Constituição é demasiado programática. Indica qual o modelo económico que a Nação tem que adoptar. Para aqueles que discordam desta orientação socializante da vida de um país, as propostas patrocinadas pelo PSD eram um lufada de ar fresco. Mas os patrocinadores não estão à altura das propostas.

É interessante que em Portugal não há um único partido de direita! Temos um partido Socialista, um Social Democrata, o Centro Democrático Social, um Comunista e um de Esquerda. Nenhum é de direita. Tirando os obviamente de esquerda, o PSD é centro direita, o CDS também, o PS é centro esquerda.

Faz falta um partido assumidamente de direita em Portugal. Direita Liberal, que devolva (alguma vez existiu?) aos cidadãos a possibilidade de escolha do regime económico e social em que quer viver. Que defenda que o Estado deve ter apenas um papel de supervisão na vida económica. Um Estado que não seja prestador de serviços para além da defesa, segurança e administração do território.

Um partido que ponha em pé de igualdade os direitos e os deveres dos cidadãos. Hoje em dia só se reivindicam os direitos, não se evocam os deveres.